Era sábado, eu acordei tarde, tinha saído – como de costume (e já cuidando pra desacostumar!) na sexta. Estava irresoluta. Eu tb estava mexida. Precisava repousar a cabeça, ajustar idéias e resolver conflitos. Fazer isso no fds pra mim, é qse impossível. rs.
Deby chegou aki em casa, conversamos, e decidimos ir, todas juntas pra Wanderley… mais precisamente para a roça dos pais de Deburah. Pega algo aki e acolá e lá vamos nós.

Essa é nossa índia, no buzu! rsrs
A vegetação seca desse cerrado me seduziu. Confesso que aprendi a ver beleza tão particular nessa terra que não me importaria mais em ficar tão longe do mar durante mais tempo.
Naquela natureza amarelada e empoeirada eu ia me redescobrindo. Fui seguindo a estrada pensando em cada pedacinho da minha vida que ansiava por chuva… tal como aquela paisagem…: profissional, familiar, pessoal/amorosa, a estudantil… Vi tanta necessidade de chuva que desejei um verdadeiro dilúvio! Aff, parei de pensar! Senão enlouqueceria! Qdo mto precisa ser mudado, precisamos nos entregar pacientemente ao cuidado de cada dia…
Qdo chegamos em Wanderley, cidade interiorana típica, rsrs, alcançamos os olhares dos ‘nativos’ para aquelas forasteiras recém-chegadas e cheias de espectativas. Andreza estava morrendo de medo pq íamos pra roça e dormiríamos sem energia – pedia pelo amor de Dio que fosse levada cachaça e gelo pra gelar cerveja!, rsrs,
Deby, estava extremamente preocupada com o fato de alguém não gostar de algo ou da casa dos pais dela,
Leti, estava com um olhão de criança, surpresa e amedrontada.. como se perguntasse ‘como seriam aqueles dias…’
E eu, rs, eu estava eufórica. Estava visivelmente feliz e em paz. Reviveria memórias, agarraria a simplicidade que amo contemplar pra ser um pouquinho mais gente! E estava decidida a ajudar todo mundo a gostar daquilo!

rsrs
Chegando lá…rs… a ESCURIDÃO! Rilitros por dentro! Pq olhei pra Andreza e vi o pavor se destacando nas feições dela ainda que eu não estivesse enxergando direito! E ao olhar pra Leti, ri mais ainda! Elas estavam surpresas! E Deburah estava apavorada! Como se dissesse “Ai meu Deus, pq fui convidar esse povo!”. E eu o tempo todo ria, brincava, pirulitava pra quebrar o gelo e o medoooooo!
Eu não vi o semblante de S.Damião, pai de Deby, qdo ele veio me cumprimentar. A lamparina estava fraca e não era noite de lua cheia. Mas eu sei que eu enxerguei inteiramente aquele homem. As marcas de uma vida que tinha mto a ensinar e eu sabia que dois dias era mto pouco para q eu aprendesse a menor parte daquilo que me caberia! Um homem da terra, do campo, do cerrado do oeste. Que planta o que come, que aprende a ser sábio com a natureza e diante disso, não há estudos que superem genuína sapiência!
Como eu já conhecia D.Leide eu sabia examente que ela era uma das responsáveis pelo homem que tinha ao lado e pelos filhos que havia criado. Uma mulher que mostrava pra mim -a karina sempre tão forte, segura, decidida – que minhas seguranças eram um fiasco. O bem maior estava num jeito mto simples de ver a vida. Agradecida, D.Leide, vc será sempre minha lady do cerrado…
Tchackkk! O barulho do primeiro latão. rsrs Foi aí que vi os dentes brancos de Andreza saltitarem naquele escurinho! rsrs E acompanhado a isso o bordão que ela solta: “Iiiiihuuuuu!” Eu ri. E poucos minutos fui adentrando naquele quintal escuro para ficar só. A completa negritude daquela noite me iluminava. Eu não temia nem aos meus temores internos. Eu qria ver as estrelas sozinha! Eu qria falar com Deus! Eu qria, desde já, acordar a aurora! Mas não disse mta coisa, eu ria mto… quem vê assim pensa que eu sou doida, né? Mas é que eu tava feliz. E ali, rindo com a cabeça levantada pro céu, parecendo uma mongó..rsrs.. eu sorria até ser abraçada por Deby que deve ter tido mais uma das vãs preocupações ao não me captar em casa! “Ei Kau, vamos comer…!”, ela disse.
“Eu estou feliz, Deby.” E ao terminar de dizer eu a puxava pra cozinha pra comermermos a primeira galinha caipira dakele passeioo!
“Oh meu Deus, onde tá a máquina! Qro tirar foto tirando leite da vaca!” Vcs acreditam q eu acordei cedão com esse berrante da Leticia que é invocada com leiteeeeeeeeeeeeee?????? kkkkk (o apelido dela eh leitinho e eu não poderei falar o pq..rs). Levantei, gritandoooo “Que merda Letiiiiiiiii! Vou te matarrrrrrrrrrrrrr!” E num é que tb fui tirar leite da vaquinha! rsrs.. ai Deus meu…

Leti_leitinho...rsrs
No curral… algo bem particular me despertava o dia: o cheiro de estrume! Amo cheiro de estrume!kkkkk. Lembro-me de uma criança bem sapeca(eu!), que se remexia num curral com uma vara, dando uma de vaqueira corajosa ao separar animais que iam ser ferrados, vendidos, comprados…rsrs.. Ahhhh.. aquele cheiro de estrume…! E ali, nakele local, estava eu revivendo minhas memórias e tirando leitinho! Um tanto sem jeito, rs, afinal… passaram-se anos, né? Como cansa akilo!

Que jeito...rs
O café da manhã típico de quem mora na roça: pão de queijo, cafézin, biscoito de goma, leite in natura!, queijo feito por D.Leide! Aff… que comilança… qta fartura na simplicidade! Não é novidade falar que passei mal de comer!rsrs
E o almoço? Aff.. Andreza que o diga! Que rubacão, hein, amiga?

Agora vou destacar o que mais amo fazer na roça: cavalgar. S. Damião desde a manhã perguntava-me se eu ia andar a cavalo, eu realmente comi mto e tava passando mal. rs. Então sempre respondia: devagar e sempre, moço! calmaê! rsrs.. E ele ria… Qdo chegou a tarde, depois do vasto almoço, eu decidi pegar o cavalo. Como era algo que não fazia desde que meu cavalo morreu, confesso que fiquei mexida. Tinha medo de travar ao lembrar de Ciclone(meu cavalo).
Qualquer fato presente q nos remete a um passado marcante nos causa esse tipo de enfrentamento.
“Deby, vem aqui comigo. Me ajuda com o cavalo (que era uma égua, rs).” Ela riu como q dissesse “claroo…”. Eu precisava de um amigo ao lado. Olhei pra égua e disse no pensamento: “Vc não é Ciclone, mas eu qro me sentir como outrora.” E parece que ela entendeu.
Ninguém desaprende cavalgar. Ali estava eu, correndo, pq adoro correr. Me sentia tão avante q nem ligava pros berros da Deby “Kau, cuidadoooooooooooooooooo” ou “Kau, não corre assimmmmmmm!!!”. Como não me bastava a restrição de ficar correndo somente na chácara, eu abri a cancela e fui pra estrada! Foi aí que corri mto! E a velha sensação mágica voltou à tona! cabelos ao vento, gargalhadas soltas, o vento rasgando minha pele trazendo energia, e a visão da natureza em relance! Ali me sentia livre! Estava tão grata… tive uma semana tão difícil!

barbuleta e eu. rs
“Beeeemmmmrrrrmmmm… beeeeeemmmmmrrrr……” Qdo eu olhei pra traz, vi a Deby e o primo dela na moto! “Ouxe…” – pensei. Rs. Eles estavam preocupados pq fui longe… e pq não pude ser vista… Aproveitei e pedi fotinhas na estrada. rsrs.

Alooooo Silverrr!

Há poucos anos atrás..rsrs.. A vaqueirinha no cavalo!Mudei nada neh??
“Pai, ela tem jeito! O sr viu?” – Li os lábios de Ilalias, irmão da Deby, falando pra S.Damião. Eu ri. Confesso, orgulhosa. Não perdi o jeito, nem o manejo no cavalo e aquilo realmente me deixara satisfeita.
“Ei, eu era uma amazona! Pegava corrida, disputava!” – eu disse justificando as observações que eles faziam.
“Então, menina, vc devia ganhar todas pq vc devia ser a mais linda!” Ele disse com uma pureza que qse chorei!rs.
Sei q despertei em Letícia uma vontade danana de subir naquela égua. rsrs. Mas eu qria ficar mais um pouco. (aff) E corri de novo pra cancela e agora decidi ir pro outro lado da estrada! Dessa vez qria ir devagar pelos trilhos, e qria falar, em voz alta, com Ele.

king kong..rsrs
Ao ceder pra Leti, rilitros da cena! Deby guiando Leti com a cordinha até a cancela! Ai Jesus! Eu ria tanto! “oh Kau, eu nunca monteiii….” Ela repetia.. tadinha… E Deby guiando com uma cara de bicho! rsrs. De repente, S.Damião diz: “Ei Karina, vc quer mesmo andar de carroça?” Claro que qria.. nunca andei de carroça!
Gente, como é gostoso!(não tanto como cavalgar!) Mas como é peculiar, caipira, simples e divertido! Bati o pé e falei que no outro dia iriamos embora da roça pra Wanderley à carroça! (São 15Km) Vislumbrei a cena tal como ela aconteceu!

Se com Letícia não precisei me esforçar, lutei pra convencer Deza(vulgo de Andreza, rs) pra montar.. pra subir na carroça.. mas essa foi irredutível. Só não precisei insistir pra ela tomar a 51… rsrs.. aff, ela realmente achava que a aguardente iluminaria mais a noite…rsrs
S.Damião fez uma fogueira a noite e com certeza foi mais um gesto próprio do seu coração para agradar suas visitas.. Afinal, era justamente a falta de luz que causava estranheza às meninas. Tinha um casal vizinho que viera falar com o ‘cumpade’ Damião. E lá fizeram a festa relatando-nos as proezas de suas vidas! Letícia deu suas mancadas básicas, rsrs, e a gente ria naquela roda aquecida pelo fogaréu em chamas.

Deby e Deza ao lado da 51...rs
De fininho, fui ao banho noturno. Na bica. E ali, do lado de fora e naquele ventinho, senti minhas entranhas apertarem outra vez. Dessa vez repensei naqueles dias. E percebi que somente qdo chegamos perto do óbvio, do simples, encontramos valores que não se desfazem em superficialidades… Passei o creminho hidratante e ri. Lembrei do meu pai. Desde criança eu gostei de ficar cheirosa. E ele sempre retrucava: “Minha filha, pq vc se perfuma tanto pra dormir?”. Eu ria e dizia: “Eu gosto, pai…” Ele achava que não tinha lógica uma menina solteira se perfumar tanto pra dormir sozinha…kkkkk.
Dei ré no pensamento. Concluí coisinhas a mais. Há santidade no simples, e só assim pude entender pq eu fui sempre atraída pela simplicidade, por uma vida sem ostentação ou apetrechos. No fundo, cada pedaço de mim quer encontrar respostas tão evidentes para questões que eu mesma complico…
Existe beleza na secura, na envergadura dos galhos mais repulsivos… O sol rachando dá resistência, te faz resoluto. Entendi mais uma vez que a decisão de ser feliz era minha. E que a nada/ninguém podia aliar esse propósito! Era só minha. Que minha vida é uma dádiva, que eu sou uma dávida carregada de memórias e histórias. E que quem quiser adentrar nela, além de mto cacife, rsrs, precisa da minha permissão. Eu sempre escolho.

Ei, mestres, mto agradecida!
Escolhi S.Damião, D.Leide, Ilalias e Jeff naqueles dias… Abri as tendas pra um lugar que estava inóspito dentro de mim. Um lugar q eu não queria mexer. E qdo o reabitei…rs…ahhh… nova vida ele teve!
Escolho ainda. Vou sempre escolher o que viver e o que aceitar. Escolho pessoas. Opto por vidas e lugares. Percebo-me cara demais (e esse convencimento não é humano!).. então, esse preço não está tão acessível…
Em tempo1: Tam, minhas viagens não são como as suas! Não descrevo Suiça, França, Itália, Espanha, bla bla bla… rsrs.. Não tenho seu repertório, mas meu universo particular tb vale a pena, viuuuuu!
!!!
Em tempo2: Parceiras, não sei explicar quão gostoso é ser amiga de vcs. Particularmente. Não furem na nossa próxima façanha, ok?
Saudade da Bahia… (manhhhhêeeeeeeeeeeeeeee, socorrrooooo!rs)
Shalom no coração!
Kau